Esqueci de contar algo bem legal que aconteceu na visita à vinícola La Rural. No final do passeio, havia uma degustação. O valor pago pela visita podia ser convertido em compras.
Na boca do caixa escutei dois israelenses conversando, eu me apresentei em hebraico e consegui ficar de papo com eles por mais de minutos usando pouquíssimas palavras em outros idiomas. Achei incrível como depois de três anos ainda consiga manter uma conversação fluente!
O dia de fato foi bem cheio. Acordamos cedo e esperamos o ônibus da excursão. A primeira coisa que visitamos foi a estrada chamada Caracoles, uma estrada sinuosa que leva à pré-cordilheira. Num determinado ponto nos detivemos e saímos para poder sentir mais o lugar. O cheiro das flores cobriam o ambiente, e cada planta tinha um cheiro bem diferente da outra.
O silêncio é inspirador. Somente passarinhos e insetos faziam ruído. A ausência de ruídos quotidianos me fez lembrar de quando mais novo, época na qual minha família sempre tinha uma casa alugada na serra, eu gostava muito de viajar para aqueles lugares.
Seguimos caminho, em determinado ponto vimos um grande número de montanhas com geleiras. Uma abertura de 150°, disse o guia, sem transferidor nem compasso não consegui conferir. Mas a vista era bem bonita de fato.
Fizemos mais duas paradas para visualizar montanhas. Numa vimos ao longe diversas delas recobertas de neve e na outra o Aconcágua, ponto de maior altitude nas Américas. Esse tipo de formação natural é muito imponente.
E quando posta em perspectiva, nos traz novamente para o simples, nos faz lembrar de que somos parte de um conjunto bem maior e que embora tenhamos um grande poder de influência na natureza, ela quase não toma conhecimento de nossos desejos.
Eu sempre busco encerrar estes encontros com o magnífico como uma oportunidade de me centrar na humildade.
Logo em seguida, no outro ponto que visitamos, relembramos como a natureza é incrível e como o homem tem o potencial de interferir negativamente.
A Puente del Inca é uma formação rochosa esculpida pelo rio que desce a cordilheira. O rio furou a pedra e fez uma espécie de ponte. Não batesse isso, por se uma região rica em ferro e compostos de enxofre, a terra e as pedras tem uma cor amarelada característica.
A formação é linda, mas como falei, o homem em seu egoísmo construiu colado ao monumento natural uma estância de banhos termais. Por uma questão de segurança, não se permite caminhar mais pela ponte. E a estância de banho também está fechada, sobrando a horrorosa construção, lembrando-nos da soberba do homem que teima em não admitir que é parte integrante da natureza e não dona dela.
Seguimos até o último povoado antes de chegar ao túnel que liga a Argentina ao Chile. Embora próximo, não podíamos avistar o túnel de onde paramos. O ônibus estacionou perto do restaurante e não seguiu.
Decidimos continuar o percurso à pé. A ida tomou uns vinte e cinco minutos. Como só nos foi dado quarenta e cinco, fiquei um pouco preocupado com a volta. Vimos o túnel e começamos a pedir carona de volta. Nenhum caminhão parou, até que um carro com a placa do Chile parou e nos deixou de volta no restaurante. O motorista havia ido ao Rio neste mesmo ano, que coincidência!
Ainda tivemos tempo para comer. Na volta à Mendoza paramos para ver o dique que represa as águas do rio de mesmo nome que a cidade. Que diferença a cor da água que chega da cor que toma a represa. É impressionante.
Na estrada de volta vimos uma quantidade enorme de vinícolas. A região de fato respira vinho.

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