Esse é um típico dia de viagem !
Ontem peguei o voo no Rio. Eu não entendo as perguntas que as companhias fazem para as viagens aos EUA. Concordo que a segurança deve ser reforçada, as bagagens vistoriadas, mas faz sentido perguntar se você pretende explodir o avião? Se você está levando uma bomba consigo? Se você pegou um pacote de um estranho para levar para os EUA?
Que maluco iria responder sim a algumas destas perguntas se de fato tivesse esta intenção?
O avião, um 767 da American Airlines não era nada confortável, sem tela na poltrona em frente e muito apertado. As poltronas eram dispostas em 2-3-2.
Do meu lado se sentou uma senhora que me contou sua história. Voltava do Brasil onde havia sofrido uma operação, estava voltando para casa, morava numa cidade perto de Boston há 18 anos. Contou que havia imigrado ilegalmente, mas que já havia conseguido a cidadania americana. Tinha já dois filhos, um deles nascidos nos EUA.
Eu fico impressionado com a vontade desse pessoal de querer morar melhor não importa o custo, tendo mesmo aberto mão de trabalhar com algo mais intelectual somente para estar num lugar melhor.
No avião um aeromoço (que palavra mais ridícula) que parecia o Rambo de tanto hormônio que havia tomado. O cara mal passava no corredor. Essa variedade dos EUA realmente impressiona.
Chegamos em Miami antes do horário e tivemos que esperar a migração liberar nossa saída.
Percebi que havia um grupo de 3 caras conversando com uma mochila da Accenture, me apresentei e descobri que os 3 iam para o mesmo curso que eu. Foi bom ter achado companhia.
Depois de sairmos, andei uns 15 minutos até chegar à migração. Incrível como o aeroporto de Miami é grande. Todos falam espanhol no aeroporto, incrível, não me lembrava disso. Também, da última vez que eu estive em Miami eu tinha 15 anos de idade.
No aeroporto voltei a encontrar com a rapaziada da Accenture, os caras estavam planejando gastar um dia inteiro num Outlet, perto da cidade onde realizaremos o curso, comprando roupas.
Como alguém pode ter isso como uma programação divertida eu não entendo. Vocês vão ver o meu dia e verão quão diferente foi.
Ainda em Miami eu comprei um acesso a internet. Saindo na correria de casa eu havia me esquecido de pegar o endereço do hotel em Chicago. Bom, acesso à internet, problema resolvido. Fui resolver meu segundo problema mais urgente: a fome.
Buscamos algum lugar para comer, um dos camaradas (o mesmo que queria perder um dia inteiro nas compras) queria comer um cachorro quente ou um hamburguer logo de manhã (por volta das 06:30). Eu falei que era começar pesado demais !
Fomos a um lugar que parecia mais com café-da-manhã. Resolvi conversar em espanhol com a atendente. O cara que estava depois de mim na fila se empolgou e pediu em espanhol também (sem ser fluente na lingua). Nisso que ele escolhe o sanduíche a mulher pergunta:
-Quiere que lo caliente?
E ele emenda:
-Si, please !
E eu na hora: Si, please?!?!?!
Todos começam a rir desesperadamente. O cara havia começado a falar Spanglish sem notar !
Bom, terminamos e fomos pegar o voo. Novamente um voo tranquilo até Chicago. A primeira surpresa quando chegamos no aeroporto: "Temperatura externa 10 graus". E eu sem casaco pesado, apenas com um fininho e uma capa de chuva.
Não desanimei, peguei a mala e fui pegar o metro. Comprei o ticket e fui procurar a linha azul. Andei um tempinho, escutando as pessoas que se apresentam no metro, até que cheguei na linha azul 1. Quando cheguei me dei conta que havia seguido a indicação do terminal 1, azul, do aeroporto ! Eu estava dentro de novo.
E num daqueles momentos que você para e pensa, alguém me chamou. Era o Gustavo, o cara que havia entrado em contato ainda no Brasil tentando combinar algo para Chicago. Que coincidência o cara ter me visto.
Foi ótimo, pegamos o metro e fomos para os nossos hotéis. Chegamos perto de meio-dia. Andamos um pouquinho na rua do metro ao hotel. Que frio. Quanto vento ! Windy city !
A cidade já me havia parecido bem legal, muito bonita, ruas limpas e largas, prédios altos, pontes diversas por cima do rio.
Depois de banho tomado fomos encontrar com uma amiga do Gustavo. Elas demoraram para chegar, mas logo que chegaram fomos almoçar. Comemos num lugar bem legal, PJ não sei o que. Pedi um belo hamburguer, com molho chilli e cogumelos, acompanhando batata. Tomei uma Guiness.
Depois fomos andar, caminhamos pela Michigan Av., que parece ser a principal rua da cidade. Lojas e mais lojas, inclusive uma da Apple, na qual entrei para ver as coisas, mas estava cheia demais.
Chegamos ao Millenium Park, onde havia um festival celta. Esse parque é enorme, tinha uma escultura bem famosa, eles chamaram de feijão. É uma espécie de escultura em formato de feijão, mas com o revestimento espelhado (não sei se é metálico ou não).
Aqui o vídeo do festival:
Passamos em frente ao museu, visitamos uma fonte linda que tem lá. Voltamos ao festival e escutamos um pouco de música antes de caminharmos mais. Fomos à torre Sears (atualmente o nome é torre Willis). Não subimos, estava muito nublado.
Passamos por diversos pontos legais daqui. A amiga do Gustavo estava com outra amiga que havia combinado de se encontrar com uma terceira. A ideia era se encontrar em algum lugar.
Eu sugeri que nos encontrássemos no Buddy Guy's Legends (http://www.buddyguys.com/). Um bar de blues, com show ao vivo, indicado pelo Prestes, um amigo meu. Andamos bem até chegar lá, passamos por três locais, na mesma rua, no qual víamos que já haviam abrigados o clube.
Finalmente chegamos ao clube e ninguém, pela porta, podia acreditar que seria ali. Entramos. O cara da porta nos explicou o esquema da casa, ele tinha a cara de um membro de banda de rock pesada, cabelo comprido e cavanhaque sem bigode !
Entramos, a menina que havia marcado conosco estava lá dentro. Pedi logo uma cerveja local. Achei muito adocicada, e um cara subiu ao palco para cantar.
Entre o primeiro cara e as duas outras bandas, o cara da porta passaria para pegar a grana. Quando ele foi pegar a grana, dissemos que éramos brasileiros e pedimos desconto. O cara falou que adorava o Brasil, começou uma conversa em português, falou que era amigo do Andreas Kisser, e nos deu um belo desconto. A entrada que custaria 15 dólares ficou por 6 !
Assistimos a dois shows, um do Jimmy Burns e depois outro do Magic Slim and the Teardrops. Duas bandas muito boas, eu desconhecia completamente, mas fiquei impressionado com todos os músicos, que tocavam muito.
Fomos embora. Fomos acompanhando a amiga americana até o ponto de ônibus. Engraçado, a noite estava menos frio que o dia. Paramos num ponto para esperar a condução dela. Um cara que parecia um mendigo pedinte se aproximou e começou a murmurar algo.
A gente nem respondeu ao cara, achando que estava tudo bem. Em questão de segundos apareceu um carro vinho e saltaram duas pessoas de dentro. Passaram no meio do nosso grupo e foram falar com o tal cara.
Eu só percebi um pouco depois, eram policiais num carro a paisana. Em menos de 1 minuto apareceram mais 3 carros iguais, com policiais dentro. Eu achei isso INCRÍVEL!
Cena de filme ! Eu não havia percebido ameaça alguma na atitude do tal mendigo pedinte, e em segundos haviam 7 ou 8 policiais em volta do cara perguntando um monte de coisas para ele !
Realmente os caras sabem fazer as coisas. A impressão que tu tem antes de ir para os EUA é que não vale a pena tanto constrangimento, noite mal dormida. Mas quando você chega, você vê que é bem legal !
Bom, hoje vamos passear mais, tem alguns restaurantes maneiros para ir. No final da tarde vou para St. Charles, a cidade do curso, ainda não sei se vamos de taxi (serviço de limousine) ou se alugamos um carro. Vamos ligar e decidir ainda.

Nossa, a cidade parece mesmo linda ; ) especialmente o Lago Michigan e o parque!!
ResponderExcluirBom resto de viagem!