sexta-feira, 28 de maio de 2010

Dias 20 e 21 - Washington

Na segunda jantei com meu primo e sua esposa (Dudu e Vivian), o Norberto foi comigo. Comemos num restaurante ucraniano. Incrível a variedade de comidas que há em Nova York. Esse restaurante tinha a culinária que eu conheço.

Comemos Pieroguis (Vareniki), que são uns pastéis fervidos em água, tomei Borscht, que é uma sopa fria de beterraba, essa sopa varia de país pra país. Vovó fazia mais líquida e com um ovo cru dentro! Para prato principal eu pedi Goulasch, que é um ensopado tradicional de carne, além de um pastel frito de batata (bem parecido com o Feine Kuchen - a escrita não deve ser assim).

De sobremesa comi uma torta de maçã bem gostosa. Uma bela refeição e uma viagem de culinária.

Tentei ir terça para Washington, mas por falta de planejamento não consegui, a viagem ficou mesmo para quarta. Consegui achar albergue, comprei passagem de ônibus e preparei minha mochila.

Acordei cedo e segui para a Penn Station, de onde saía o ônibus. Rapidamente consegui me localizar e peguei o ônibus correto. Curioso, o motorista era um chinês que fumava como um louco, mas nunca dentro do ônibus. O ônibus era confortável, a saída de Nova York estava engarrafada, demoramos um pouco pra sair. Mas logo que saímos dali a viagem foi tranquila.

Cheguei em Washington por volta de 12:30, em Chinatown, rapidamente me achei com o mapa que o Norberto havia me emprestado. Caminhei direto para o Capitólio, tirei umas fotos por fora, vi algum juiz importante sair de algum julgamento no Court.


Resolvi fazer o passeio no Capitólio. Problema: Não pode entrar com comida, água ou qualquer aerosol. Eu tive de tentar comer tudo que tinha na mochila (2 sanduíches, 1 pacote de biscoitos doces e 1 pacote de biscoitos salgados), não consegui comer o pacote de biscoitos salgados. E ainda tive de jogar fora o desodorante, isso poderia ser um problema no futuro.


Gostei da visita ao Capitólio, um filme bem legal, a história do Capitólio, o que acontece ali. Depois um tour por algumas salas, várias estátuas. Incrível como dão valor à história do país e heroificam as pessoas. Não vejo nada próximo disso no Brasil. Talvez não façamos isso porque não acreditemos em heróis, ou talvez façamos isso porque não tivemos heróis.



Depois de visitar o Capitólio fui caminhando até o monumento de Washington, aquele grande obelisco. Uma bela caminhada, no sol escaldante. No caminho têm vários museus, muitos mesmo, escolhi entrar no Museu da História Americana, de cara vi a Star-Spangled Banner, a bandeira enorme que virou o símbolo dos EUA. O museu fechou às 17:00, saí e segui caminhando.



Passei o obelisco e atravessei o espelho d'água, bem longo também, até chegar ao monumento a Lincoln. Esse é um personagem que eu cada vez mais admiro. O cara não tinha estudo, resolveu estudar, cresceu como pessoa e virou presidente. Fora as frases incríveis e a postura que manteve na guerra civil.



O monumento é muito bonito. Depois de ver isso, fui à casa branca. Fiquei impressionado com a distância de que nos deixaram aproximar. Depois de alguns momentos descobri o porquê. Obama estava chegando no helicóptero ! Tentei aproximar o zoom, mas a câmera não é tão boa.

Já era perto das 19 horas e eu resolvi forçar e ir ver o monumento à Jefferson, outro dos grandes da história americana. Responsável por comprar a Lousianna dos franceses, o que na época aumentou consideravelmente. Foi uma dura caminhada de ida, e pior ainda a volta, já morto. Andei bastante, muito mesmo. Era hora de procurar o albergue.

Peguei o metrô e fui até a última estação que meu mapa mostrava. Estava no número 1100 e o número do albergue era 4100. Tinha muito chão pra frente, eu comecei a andar, não achava sequer a rua, porque era no meio de duas ruas. Não estava com notas pequenas e não consegui sacar dinheiro no caixa para pegar, mas por sorte, vi um taxista no posto de gasolina e pedi pra ele esperar enquanto eu tentava trocar a grana.

No fim consegui trocar a grana, o Guatemalteca me fez gastar 5 doletas pra dar o troco pra nota de 100, mas o taxista etíope pelo menos me esperou. Cheguei ao albergue, longe, num bairro feio, e caro. Talvez um dos piores que eu já estive. Mas tudo bem, eu ia somente dormir uma noite.

Fui buscar uma comida na rua, só achei um restaurante chinês e comprei um double fish com batatas fritas e água. Enquanto eu pedia entraram "Danny Glover" e logo depois "Martin Luther King Jr.". Que vizinhança !

Bom, fui dormir, do lado da janela, acordei com a luz do dia. Tomei um banho e fui tentar visitar o Pentagono. Já na saída do metro vi um posto de inspeção de malas, percebi que não era por ali o caminho. Dei a volta, fui tentar tirar uma foto do prédio. Várias placas dizendo para não tirar fotos, tentei achar o memorial do pentágono, mas estava muito quente e voltei.


Peguei o metro e fui ao cemitério de Arlington, pedi informação e o cara me deu info errada, voltei andando (SEM QUERER), para Washington. Num calor incrível, suando, novamente andando. Resolvi ir ao museu do holocausto.

Muito bom o material. Incrível mesmo. Um dado que me chamou a atenção foi que entre Hitler ter sido apontado Chanceler (isso mesmo, apontado pelo presidente de então) e ele ter tomado completamente o poder se passaram apenas 6 meses. Incrivelmente rápido a ascenção de um governo radical como esse.

Ninguém esperava, ninguém podia crer, as coisas fizeram um pouco mais de sentido agora pra mim. Ainda injustificável, mas agora as coisas se encaixam melhor. Sai de lá meio abatido, como sempre acontece.



Visitei novamente o museu da história americana porque queria visitar a parte dos presidentes. Tinha uma parte que dizia que as guerras permitiam a liberdade aos americanos. Achei forçoso demais. Algumas guerras foram de fato válidas, outras não. E classificar todas no mesmo pacote é demais pra mim. E fiquei também impressionado como o país é beligerante.


Fui ao lugar onde eu devia pegar o ônibus. Chegando lá fui conferir que o ônibus da porta era o das 3 horas. O cara falou que não tinham mais serviço nesse horário. Mostrei minha passagem e o cara me falou que tinha ligado pra mim (tel do Norberto). O que consegui foi a grana de volta e tentei pegar um ônibus em outra companhia.


Saí correndo pra chegar a tempo, consegui por fim pegar o ônibus. Paguei um pouco mais caro, no ônibus tinha internet e tomada ! Nunca tinha visto isso. Mas fora isso, um desconforto, minha perna ficava dormente toda hora, detalhe, sem almoçar.

Atrasamos 1 hora em relação ao horário de chegada em NY, mas foi muito boa a viagem.

Um comentário:

  1. Acabei de ler todo o seu blog agora. Adorei!Viagem fantástica!! Me deu uma vontade de viajar...
    Você escreve muito bem. Parabéns!

    Ju Fonseca

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